Com a nova versão da icônica vilã, público relembra a atriz Beatriz Segall, que marcou gerações e deixou um legado que vai muito além da teledramaturgia.
A icônica vilã Odete Roitman, imortalizada por Beatriz Segall em 1988, volta a ser assunto em todo o país com a nova versão da personagem que estreia na televisão. Mas, ao mesmo tempo em que o público se prepara para conhecer a nova interpretação da megera mais famosa da dramaturgia nacional, o legado de Segall volta a ser celebrado, relembrando não apenas sua marcante atuação na teledramaturgia, mas também seu engajamento social.
A eterna Odete Roitman nunca deixou de ser referência. Mesmo após mais de três décadas da novela Vale Tudo, a personagem continua no imaginário popular. No entanto, o que poucos sabem é que Beatriz Segall carregou sua vilã por onde passou, mas fez questão de mostrar ao público que era muito mais do que a milionária cruel da ficção. Em 2017, já com quase 91 anos, em uma de suas últimas aparições, a atriz participou da leitura dramática do livro A Travessia da Terra Vermelha, publicado pela Editora Nacional e assinado pelo jornalista e escritor Lucius de Mello, sobre os refugiados judeus que escaparam do nazismo e vieram ao Brasil.
"O nazismo foi uma coisa tão extraordinariamente trágica, que você não pode deixar de se manifestar sempre que surge uma oportunidade. Porque você tem que lembrar para as pessoas que é a História que faz o tempo, agora", declarou Beatriz Segall na época, demonstrando seu comprometimento com causas humanitárias. A leitura aconteceu na Livraria Cultura, em São Paulo, e foi um dos últimos trabalhos da atriz antes de seu falecimento, em 2018.
Para Lucius de Mello, que teve a chance de trabalhar ao lado de Segall nesse projeto, a experiência foi marcante. "Beatriz Segall foi tocada por essa história que ela ainda não conhecia. Nossos encontros eram repletos de curiosidade e emoção. Ela se interessava pelos detalhes, pela vida dura que os refugiados judeus enfrentaram, e queria saber mais sobre esse trem brasileiro que salvou tantas vidas", relembra o autor.
O documentário gerado a partir dessa leitura segue disponível na internet e continua emocionando quem tem acesso a ele. Com depoimentos de descendentes de refugiados e cenas que resgatam momentos históricos, o material reafirma o impacto que Beatriz Segall teve, tanto na arte quanto na luta por justiça e memória histórica. "Ela conseguiu estilhaçar a imagem fria e perversa da vilã que a acompanhou por tantos anos", destaca Lucius.
Agora, com a nova versão de Odete Roitman prestes a conquistar uma nova geração de telespectadores, o nome de Beatriz Segall volta ao centro das conversas. Mais do que um ícone da teledramaturgia, ela foi uma mulher que soube usar sua voz para causas maiores. Enquanto os fãs aguardam para conhecer a nova vilã, uma coisa é certa: a original sempre terá um lugar especial na história da TV brasileira e no coração do público.
Neste link, você pode conferir trechos desse momento especial da atriz: https://www.youtube.com/watch?v=7a5dhNEQ4uo
Sobre o livro:
Durante o Terceiro Reich, um plano engenhoso garante a famílias judaicas passagem para o sertão do Paraná, numa elaborada fuga da perseguição antissemita do governo alemão. A chance de um recomeço trouxe a adaptação a uma rotina de trabalho árduo e simplicidade no interior do Brasil, onde tiveram que aprender o idioma e superar as limitações da vida rural. Isolados, passaram a obter notícias do resto do mundo por meio de cartas escassas e de um único rádio, utilizado para acompanhar o andamento da guerra. A Travessia da Terra Vermelha reconta a saga destes refugiados, apresentando em detalhes os acontecimentos dos arredores da cidade de Rolândia antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial. Ao longo da narrativa, o leitor se emocionará com os perigos passados pelos imigrantes ao conviver com nazistas e com a pressão das limitações criadas pelo governo brasileiro a imigrantes de países do Eixo após sua entrada no conflito. Mais ainda: saberá dos anseios, sonhos e desejos secretos destes homens e mulheres que viveram toda uma vida no exílio.
Sobre o autor:
Lucius de Mello é jornalista, escritor e doutor em Letras pela USP e Sorbonne Université – Paris. Autor da tese A Bíblia segundo Balzac: Deus, o Diabo e os heróis bíblicos em A Comédia Humana, seu trabalho transita entre literatura, jornalismo e pesquisa acadêmica. Finalista do Prêmio Jabuti em 2003, construiu uma trajetória marcada pela análise profunda da cultura e da sociedade, consolidando-se como uma voz relevante no cenário literário e intelectual.
Sobre a Editora:
A Companhia Editora Nacional foi fundada em 1925 por Monteiro Lobato e Octalles Marcondes. O criador do icônico Sítio do Pica Pau Amarelo, além de autor, também foi editor e tradutor, além de responsável por diversas inovações na indústria do livro – desde a importação de novas tecnologias de impressão até uma revolução nas dinâmicas de distribuição. Depois de 50 anos de um grande trabalho, a Companhia Editora Nacional foi adquirida pelo Grupo IBEP, que se transformou em uma das maiores companhias brasileiras do mercado do livro. 2020 foi o ano que marcou uma grande mudança na editora, com uma reflexão sobre a nossa marca e a redefinição das nossas propostas de valor.