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Ywyzar no remake de "Vale Tudo": "A partir do momento em que eu estou ali, minha personagem também é indígena"


Créditos: Balbio / Divulgação

Com uma presença marcante e um discurso potente, Ywyzar vem conquistando espaço no audiovisual brasileiro. No remake de Vale Tudo, a atriz vive Flávia, uma jovem estudante de veterinária que marca sua estreia em novelas. Mas sua atuação vai além da dramaturgia: ela carrega consigo a potência de representar um Brasil que resiste — e existe — nos lugares onde por muito tempo foi invisibilizado.

O peso e o poder de ocupar espaços

Interpretar uma personagem que não foi escrita como indígena não impediu Ywyzar de trazer sua identidade para o papel — ao contrário, foi justamente isso que a fez enxergar a importância de sua presença.

"Recebi algumas perguntas sobre minha personagem ser indígena ou não, e eu costumo dizer que não está roteirizado que ela é originária, mas a partir do momento que eu, uma mulher indígena, assumo esse papel, minha personagem passa a ser indígena. Não é o indígena que as pessoas estão acostumadas a ver, mas é o indígena real, que vive na cidade, que existe."

Para ela, identidade não se resume a adereços ou pinturas. Está no sangue, no corpo e na fala.

Medo de cavalos, estudos e descobertas

Vivendo uma estudante de veterinária, Ywyzar teve que encarar desafios inesperados — como superar o medo de cavalos. Mas seu processo foi muito além da parte técnica.

"Fui em busca de entender essa profissão, conversar com jovens que fazem veterinária, ouvir o que move essa paixão. Mas acho que o maior desafio ainda é interno, psicológico. Entender meu lugar nesse espaço, que ainda é novo pra mim."

"Vale Tudo", um clássico repaginado — e uma estreia inesquecível

Estrear na TV em uma novela tão icônica como Vale Tudo pode ser assustador. Mas Ywyzar encarou com coragem e liberdade.

"Como a história sofreu mudanças, eu me senti mais livre para criar a Flávia do meu jeito. Mas claro, tem aquele frio na barriga? É minha primeira novela, meu primeiro trabalho grande, e não saber como o público vai reagir mexe com a gente."

Na estreia, ela lembra de um momento marcante:

"Quando vi todos aqueles talentos brilhando na tela, e depois olhei para o lado e vi eles ali do meu lado? foi ali que eu acreditei que a mudança está acontecendo."

De "Tarã" à transformação pessoal

Foi com Tarã que tudo começou. E apesar da insegurança no início, o projeto a transformou.

"Antes do audiovisual, eu vivia tentando me encaixar, ser aceita. O audiovisual me fez colocar os pés no chão e me empoderar das minhas verdades. Hoje eu entendo que não saber também é sabedoria. Eu posso não saber agora, mas estou disposta a aprender — e isso fala muito sobre quem eu sou e quem eu quero ser."

Xuxa, afeto e cenas de mãe e filha

Na série, Ywyzar contracena com Xuxa, vivendo uma relação de mãe e filha que emocionou o público. E a conexão foi real.

"É fácil trabalhar com a Xuxa. Ela tem uma essência de menina. Em cena, eu via ela como mãe, parceira, amiga."

Cenas intensas, emoções reais

Em Guerreiros do Sol, sua personagem passa por situações duras. E para uma atriz que sente tudo com intensidade, isso pode ser desafiador.

"Teve trabalho em que eu levei a dor da personagem comigo, e isso mexeu demais comigo. Mas também tive uma equipe que me deu suporte, que me acolheu."

Ser indígena no audiovisual ainda é raro — mas está mudando

Apesar de reconhecer os avanços, Ywyzar sabe que ainda há um longo caminho pela frente.

"Hoje eu vibro por ver meus parentes na TV, nas passarelas, nos palcos. Mas ainda não é normal. Muitos não indígenas não têm nenhuma referência de indígenas nesses lugares — e os que têm, conhecem só um ou dois."

Quando a arte vira luta

Projetos como Rio de Sangue reforçam o propósito de sua arte: dar voz à luta dos povos originários.

"O audiovisual é meu sonho, sim, mas também é ferramenta de resistência. Esses trabalhos fazem tudo ter mais sentido. A arte é política. É através dela que mostramos quem somos, que desmistificamos a imagem do indígena que foi construída até aqui, e abrimos caminho para os que vêm depois."

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